“POR QUE JUDIA?”
Na cruzada pela vida,
À procura pela terra prometida,
Gente sem pátria, gente sofrida,
Que por outras pátrias fora acolhida.
Lavou o chão dos campos de concentração,
Com o sangue, suor e lágrimas dos corações,
Que ainda choram as marcas pela violência deixada.
O tempo passou
E nada ou quase nada mudou.
Aquele povo antes dispersado pelo mundo,
No Oriente se uniu,
Num pedacinho de terra seu país construiu.
De povo oprimido virou opressor,
Com a mesma arma que era vitimado,
Semeia por lá a mesma dor.
Reprime a liberdade,
Mata nas ruas sem piedade,
Sufoca o desejo de quem quer ver livre,
O seu território ocupado.
Concentra os indesejados,
Como um dia fora concentrado,
Nos campos que hoje chamam de: “Campos dos Refugiados”.
Pensei que tamanha crueldade fosse coisa do passado.
Assim como a guerra havia acabado.
Por que judia?
Se já sentiram essa dor na própria carne.
Pabro Poeta - Fev/1988